Quem construiu o vinho de Neuquén: pioneiros, enólogos e novas gerações
Por Sergio Landoni, Sommelier de Territorio
Publicado em · Artigo original atualizado em

Profissionais de diferentes gerações que participam da história do vinho de Neuquén.
Para entender o vinho de Neuquén, não basta olhar os vinhedos ou provar as garrafas. É preciso conhecer as pessoas que decidiram plantar, investir, elaborar e permanecer em uma região que, há poucas décadas, ainda buscava seu lugar no mapa do vinho argentino.
Há pioneiros que deram escala à produção, consultores que trouxeram experiência de outras regiões e enólogos que trabalham diariamente com as particularidades de cada safra. Este é um retrato dessas trajetórias, não um ranking. E, como todo retrato de um setor em movimento, merece ser atualizado à medida que os projetos e as equipes mudam.
Para conhecer os diferentes ambientes onde esses vinhos nascem, leia As seis regiões vitivinícolas de Neuquén e a guia dos vinhos de Neuquén.
Pioneiros e empreendedores: a construção de uma região
Julio Viola: o impulso inicial em San Patricio del Chañar
O nome de Julio Viola está ligado ao desenvolvimento vitivinícola moderno de San Patricio del Chañar. Sua participação ajuda a explicar uma etapa decisiva: transformar terras de estepe, com acesso planejado à irrigação, em uma região capaz de produzir vinhos em escala comercial.
Ana Viola: Malma e a projeção dos vinhos patagônicos
À frente da Bodega Malma, Ana Viola contribuiu para ampliar a presença dos vinhos de Neuquén fora da província. Sua atuação também se estende à representação do setor exportador patagônico e à defesa da identidade de origem nos mercados internacionais.
É uma trajetória que reúne gestão empresarial e trabalho coletivo. Para uma região relativamente jovem no comércio do vinho, ambas as frentes são importantes.
Eduardo Eurnekian e Juliana Del Águila Eurnekian: investimento e escala
A expansão do Chañar também dependeu de investimentos capazes de sustentar vinhedos, tecnologia, equipes e presença comercial ao longo dos anos. Os projetos ligados a Eduardo Eurnekian e Juliana Del Águila Eurnekian fazem parte dessa história de consolidação.
Consultores e influências técnicas
Michel Rolland: uma experiência internacional no Fin del Mundo
A atuação de Michel Rolland como consultor da Bodega del Fin del Mundo aproximou o projeto de uma experiência enológica internacional. Mais do que o prestígio de um nome, interessa observar como o conhecimento trazido de outras regiões pode dialogar com as condições particulares de Neuquén.
Hans Vinding-Diers: precisão e respeito à matéria-prima
Hans Vinding-Diers é associado a uma abordagem que privilegia a qualidade da uva e a intervenção cuidadosa na vinificação. Sua passagem pelo universo dos vinhos patagônicos ajuda a compreender a busca por estilos menos marcados pelos recursos de adega e mais atentos à origem.
Roberto de la Mota: experiência e equilíbrio
Roberto de la Mota representa outra contribuição da enologia argentina ao desenvolvimento regional. Sua experiência oferece uma referência para pensar vinhos com estrutura, equilíbrio e capacidade de evolução, sem perder de vista a fruta e as condições de cada vinhedo.
Marcelo Miras: uma trajetória fundamental na Patagônia
Marcelo Miras participou da construção da vitivinicultura moderna do sul argentino e da formação de uma cultura técnica que ultrapassa os limites de uma única vinícola. Seu nome merece aparecer neste mapa pela experiência acumulada, pela transmissão de conhecimento e pela contribuição ao reconhecimento dos vinhos patagônicos.
Enólogos e projetos contemporâneos
As trajetórias a seguir refletem os vínculos e as funções descritos na edição original do artigo, publicada em fevereiro de 2026. Como as equipes e as responsabilidades podem mudar, esta seção ainda passará por uma revisão específica antes de ser considerada definitiva.
Nicolás Navío: continuidade técnica no Chañar
Formado na Faculdade Don Bosco, em Mendoza, Nicolás Navío construiu uma trajetória importante em San Patricio del Chañar. O artigo original destaca seu trabalho na Bodega Patritti, com linhas como Primogénito, Sangre Azul e Sommelier, além de sua colaboração técnica com Familia Aicardi e Fincas del Limay.
Seu percurso mostra como o conhecimento de um enólogo pode circular entre projetos de diferentes dimensões. Escolher o momento da colheita, trabalhar a extração e decidir sobre o uso da madeira são escolhas que, safra após safra, ajudam a definir a identidade de um vinho.
Leonardo Puppato: Familia Schroeder e o Pinot Noir
Leonardo Puppato está ligado à história da Familia Schroeder desde a implantação do projeto, no início dos anos 2000. Com experiência anterior em outras vinícolas argentinas, participou da organização técnica da produção e do desenvolvimento de vinhos que ajudaram a tornar o Pinot Noir de Neuquén mais conhecido.
A linha Saurus, cujo nome remete aos fósseis encontrados durante a construção da vinícola, é também um exemplo de como uma história local pode ganhar expressão em uma marca de vinho.
Ricardo Galante: a experiência enológica no Fin del Mundo
Ricardo Galante desenvolveu sua trajetória a partir da formação em Mendoza e de experiências de vindima em diferentes regiões. Na Bodega del Fin del Mundo, seu trabalho foi associado à continuidade de linhas como Reserva, Gran Reserva e FIN.
Filho do enólogo José “Pepe” Galante, construiu sua própria relação com a Patagônia e com variedades como o Pinot Noir. A regularidade entre safras é parte importante desse trabalho, especialmente em uma região onde as condições climáticas exigem decisões precisas.
María Belén Miguel: formação e experiência na própria Patagônia
Formada em Viticultura e Enologia pela Universidad Nacional de Río Negro, María Belén Miguel representa profissionais que construíram sua formação e sua experiência no sul argentino. O texto original registra sua atuação na Bodega del Fin del Mundo e uma passagem anterior pela área de visitas da Bodega Malma.
Esse contato com a elaboração e com o público ajuda a mostrar que comunicar o vinho também exige conhecer o que acontece no vinhedo e na adega.
Valeria López: o trabalho enológico na Mabellini Wines
Valeria López aparece no artigo original vinculada à Mabellini Wines, um projeto da região da Confluencia. Sua trajetória integra a presença de profissionais formados no território e o crescimento de vinícolas de menor escala.
O texto também registra uma primeira operação de exportação da Mabellini para a França, um passo relevante na trajetória comercial do empreendimento.
Lucas Quiroga: Malma e Tero Rengo
O trabalho de Lucas Quiroga é apresentado a partir de sua ligação com a Bodega Malma e com o projeto pessoal Tero Rengo. São duas escalas de produção que permitem observar diferentes decisões sobre maturação, extração e estilo.
Essa convivência entre vinícolas consolidadas e projetos próprios de enólogos amplia as possibilidades de expressão do vinho neuquino.
Lucio Saldaña: a experiência da Bodega Cutral Co
Lucio Saldaña está à frente da elaboração na Bodega Municipal de Cutral Co, na Comarca Petrolera. Ali, a viticultura enfrenta condições diferentes das do Chañar: vinhedos sobre a meseta, forte exposição solar, vento e irrigação dependente de água subterrânea.
Seu trabalho abrange as linhas Estate e Reserva, com variedades como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Malbec e Cabernet Franc. O Cabernet Franc Reserva ocupa um lugar de destaque na identidade que a vinícola vem construindo.
Cutral Co demonstra que a vitivinicultura de Neuquén não se limita aos grandes empreendimentos próximos aos rios. Cada nova área exige compreender o solo, a água disponível e, sobretudo, o comportamento das uvas naquele lugar.
Santiago del Pin: pequenas partidas e interpretação de origem
Com experiência em diferentes regiões produtoras, Santiago del Pin desenvolve o projeto Sudoeste, trabalhando com pequenas partidas de uvas de Río Negro e Neuquén. Fermentações espontâneas e intervenções contidas fazem parte da abordagem descrita no artigo original.
Seu trabalho acrescenta outra escala ao panorama patagônico: a de quem acompanha de perto cada lote e procura compreender o que a matéria-prima oferece em cada safra.
O trabalho que conecta projetos
Uma região vitivinícola não cresce apenas pela soma de vinícolas. Cresce também quando circulam conhecimentos, quando profissionais compartilham experiências e quando produtores, enólogos e equipes comerciais encontram formas de trabalhar juntos.
Em Neuquén, onde convivem grandes estruturas e empreendimentos familiares, essas relações são particularmente valiosas. O desenvolvimento técnico precisa acompanhar a diversidade de territórios que hoje fazem parte do mapa provincial.
O vinho de Neuquén e as pessoas que o levam adiante
Os vinhos de Neuquén já conquistaram um lugar reconhecível na produção argentina. O desafio agora é aprofundar esse trabalho, compreender melhor cada região e dar espaço às novas gerações sem perder a memória de quem abriu o caminho.
Como Sommelier de Territorio, gosto de conhecer essas histórias de perto, conversar com quem trabalha nas vinícolas e provar os vinhos no contexto em que são produzidos. É assim que procuro contar Neuquén: com os nomes, os lugares e as decisões concretas que estão por trás de cada garrafa.
Para continuar lendo
- As seis regiões vitivinícolas de Neuquén
- Guia dos vinhos de Neuquén
- Vinhos de Neuquén e gastronomia regional
- Vino a la Montaña
Texto adaptado para o português brasileiro a partir do artigo de Sergio Landoni publicado em fevereiro de 2026. Os vínculos profissionais citados serão revisados em uma próxima atualização editorial.