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As seis regiões vitivinícolas de Neuquén

Dos dias quentes e das noites frescas dos vales irrigados aos pequenos vinhedos da Cordilheira dos Andes, uma província que não cabe em uma única definição de vinho patagônico.

Quem olha Neuquén apenas no mapa pode imaginar uma região fria, por estar na Patagônia argentina. Basta acompanhar um verão em San Patricio del Chañar ou Senillosa para perceber que a realidade é mais interessante. Durante o crescimento e a maturação das uvas, o calor pode ser intenso. O que chama a atenção é a queda de temperatura quando chega a noite. É a partir dessa combinação, e das diferenças entre os lugares, que proponho conhecer os vinhos da província.

Por Sergio Landoni, Sommelier de Territorio e Embaixador do Vinho de Neuquén, em San Martín de los Andes.

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Colheita em vinhedos de Neuquén, Patagônia argentina

Neuquén responde por uma parcela majoritária da produção de vinhos e mostos da Patagônia argentina. O dado ajuda a compreender sua importância econômica, mas não conta a história inteira. Há grandes vinícolas, projetos familiares, antigas parreiras recuperadas e experiências que ainda estão descobrindo quais variedades se adaptam melhor a cada lugar.

Organizo esse território em seis grandes regiões de referência: San Patricio del Chañar, Confluencia, vale do rio Limay, Comarca Petrolera, Norte Neuquino e Cordilheira de Neuquén. É uma leitura territorial do desenvolvimento vitivinícola, não uma classificação oficial de denominações de origem. O mapa continua em construção.

O diferencial climático de Neuquén

Há uma característica que considero fundamental para compreender o vinho de Neuquén: as temperaturas elevadas durante o desenvolvimento das uvas e a amplitude térmica efetiva entre o dia e a noite. Não estou falando do clima médio do ano, mas do período em que a videira cresce e os cachos amadurecem.

Em San Patricio del Chañar, Senillosa e Picún Leufú, as tardes de verão podem ser muito quentes. Existem registros superiores a 40 °C, embora sejam situações extremas, não a temperatura habitual de todos os dias. Ao anoitecer, é frequente a temperatura cair para menos de 20 °C. Essa oscilação, vivida durante o ciclo vegetativo, é um dos traços mais particulares dos vales produtores.

Em Mendoza, a busca por condições mais frescas muitas vezes leva os vinhedos a altitudes maiores, onde as temperaturas diurnas também tendem a ser mais baixas. Nos vales de Neuquén, encontramos outra dinâmica: dias de calor forte seguidos de noites consideravelmente mais frescas. Não é uma questão de declarar uma região melhor que a outra, mas de reconhecer que as uvas amadurecem em condições diferentes.

O calor participa da maturação; o resfriamento noturno pode contribuir para a manutenção da acidez, dependendo da variedade, do momento da safra e do manejo. O resultado não é automático. Uma amplitude térmica elevada, sozinha, não garante equilíbrio nem qualidade. É preciso observar o vinhedo e provar o vinho.

O ambiente seco, o vento e as muitas horas de sol completam o quadro. A baixa umidade favorece a sanidade das plantas, enquanto a irrigação, com água dos rios alimentados pelo degelo andino ou de poços profundos, permite cultivar a videira em áreas naturalmente áridas. A disponibilidade de água, porém, não dispensa o manejo criterioso desse recurso.

Na Cordilheira, durante o mesmo período de crescimento, também podem ocorrer tardes de 26 °C a 32 °C, mas a altitude, as geadas e a duração mais curta da estação vegetativa mudam as condições de cultivo. Por isso, falar apenas em “vinhos de clima frio” é uma simplificação que não explica Neuquén.

1. San Patricio del Chañar

Onde fica: aproximadamente 50 km a noroeste da cidade de Neuquén, na área de meseta irrigada com água do rio Neuquén.

Foi aqui que a vitivinicultura moderna de Neuquén ganhou escala. No fim dos anos 1990, transformar uma paisagem árida em vinhedos produtivos exigiu investimento, irrigação, proteção contra o vento e muito trabalho de campo. O projeto pioneiro da Bodega del Fin del Mundo, iniciado em 1999, abriu caminho para um polo que hoje reúne produtores de dimensões bastante diferentes.

O Chañar apresenta solos pedregosos, frequentemente com seixos rolados, pouca matéria orgânica e boa drenagem. Durante a fase de crescimento e maturação das uvas, o sol forte, o vento e a grande diferença de temperatura entre o dia e a noite marcam o trabalho no vinhedo. É uma região que não pode ser descrita simplesmente como fria.

Familia Schroeder é uma das referências do polo. Sua vinícola foi concebida em diferentes níveis para favorecer o trabalho por gravidade. A descoberta de restos de um titanossauro durante a construção deu origem à conhecida linha Saurus. O Pinot Noir ocupa um lugar importante na trajetória da casa e na imagem do vinho neuquino.

Malma também participou da consolidação do Chañar, associando produção de vinhos, gastronomia e visitas. A experiência de conhecer os vinhedos e depois sentar-se à mesa contribuiu para aproximar o público de uma região que, até pouco tempo antes, não figurava nos roteiros do vinho argentino.

O crescimento trouxe novas escalas. Patritti, com rótulos como Primogénito e Sangre Azul, ampliou o trabalho com variedades como Cabernet Franc e Petit Verdot. A reorganização das instalações históricas, com a presença do Grupo Peñaflor e da Bodega Marantiqua, faz parte das transformações mais recentes do polo.

Ao lado das estruturas maiores, há projetos como Secreto Patagónico, Familia Aicardi, Tero Rengo e U24, de Eduardo Panes. Cada um trabalha com volumes, escolhas de elaboração e relações com o consumidor diferentes. A Bodega El Chical, de Alejandro Mussi e Liliana León, acrescenta uma proposta urbana, com produção de vinhos e atividades culturais.

Para quem compra ou importa vinho, essa diversidade de escala merece atenção. O Chañar não oferece um único estilo nem um único modelo comercial. Há projetos com maior estrutura e outros de produção limitada. Em ambos os casos, a identidade do vinho precisa ser avaliada junto com a regularidade das safras, o perfil de cada rótulo e a capacidade de fornecimento.

Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc e Malbec estão entre as variedades que ajudam a compreender a região. O Pinot Noir, em particular, permite observar diferenças de fruta, textura e acidez entre parcelas e produtores, sem que isso signifique que todos os vinhos tenham o mesmo perfil.

Vinícola Familia Schroeder em San Patricio del Chañar, Neuquén
Familia Schroeder, uma das referências da vitivinicultura moderna de San Patricio del Chañar.

2. Confluencia: vinhedos junto à cidade e ao rio Neuquén

Onde fica: cidade de Neuquén e arredores, na área onde os rios Limay e Neuquén se encontram e dão origem ao rio Negro.

A Confluencia tem outra história. Aqui, a vitivinicultura convive com antigas propriedades agrícolas, pomares e uma cidade que continua crescendo. Os vinhedos são pequenos quando comparados aos do Chañar, e alguns ficaram cercados pela expansão urbana.

Mabellini Wines é um exemplo dessa continuidade. A família retomou uma tradição ligada a Cinco Esquinas, iniciada em 1928, e trabalha com uvas de vinhedos próprios em Neuquén e Mainqué, já na província de Río Negro. A enóloga Valeria López participa dessa nova etapa, em que uma história antiga encontra formas contemporâneas de elaborar.

A presença de material vegetal antigo de Pinot Noir e a utilização de recipientes como ovos de cimento fazem parte do interesse desse projeto. Merlot, Chardonnay, Cabernet Franc e Pinot Noir ajudam a mostrar a variedade de possibilidades da região. A escala é pequena, mas isso não diminui seu valor para compreender o passado e o presente do vinho local.

O corredor de Centenario e Vista Alegre Sur

Na margem do rio Neuquén, entre Centenario, Vista Alegre Sur e o caminho para Cinco Saltos, a paisagem agrícola permanece visível. Pequenos produtores trabalham em propriedades onde a uva convive com a memória das tradicionais plantações de peras e maçãs do Alto Valle.

Costa Oculta, com os vinhos Ojo del Río, produz em pequena escala a partir de variedades como Malbec, Cabernet Franc e Chardonnay. Viñas Constanza, implantada em 2006 sobre uma antiga propriedade frutícola, acrescenta uma experiência pouco comum na região com a variedade Refosco.

O interesse da Confluencia não está na quantidade de hectares. Está na continuidade de uma tradição agrícola e na possibilidade de conhecer vinhos de propriedades pequenas, próximas aos rios, com histórias bastante diferentes das grandes plantações da meseta.

Cacho de uva branca em vinhedo de Neuquén
Uvas brancas em Neuquén, onde Chardonnay e outras variedades também encontram condições de cultivo.

3. Senillosa e o vale do rio Limay

Onde fica: corredor que acompanha o rio Limay, de Senillosa em direção a Picún Leufú.

O Limay não é apenas uma fonte de água. Sua presença ajuda a definir a paisagem e as condições dos vinhedos. Solos arenosos, setores com cascalho, vento e temperaturas que podem subir muito durante o dia fazem parte desse corredor. Durante a maturação, a queda de temperatura à noite volta a ser um fator importante.

Fincas del Limay é uma das principais referências da região, com vinhedos em Senillosa e Picún Leufú. Seu trabalho mostrou que era possível produzir vinhos com personalidade própria fora do grande polo do Chañar. O Pinot Noir merece atenção, assim como os brancos e os diferentes cortes elaborados na área.

Uma história que gosto de contar é a do Ugni Blanc. A variedade chegou por um erro de viveiro, no lugar de Chardonnay, e acabou encontrando condições para se desenvolver em Senillosa. Dessa situação inesperada nasceu a possibilidade de elaborar um branco de perfil floral e fresco. Nem tudo o que hoje conhecemos do vinho neuquino estava previsto no começo.

Vinhedos da Fincas del Limay, na região de Senillosa, Neuquén
Fincas del Limay, referência para conhecer os vinhos produzidos às margens do rio Limay.

O corredor também reúne projetos familiares. Impasse, de Rosana Jurio e Adrián del Negro, avança com sua vinícola e propostas ligadas à gastronomia e ao enoturismo. Tierra Tehuelche e Puerta Oeste trabalham em escala artesanal. Terra Indómita, com sua linha Hallazgo, desenvolve um vinhedo de cerca de 2,5 hectares e vem dando atenção especial ao Syrah, ao lado de Cabernet Sauvignon e Malbec.

Para quem conhece o vinho argentino sobretudo pelo Malbec de Mendoza, Senillosa oferece uma oportunidade de ampliar o repertório. Não por ser uma curiosidade geográfica, mas porque a combinação de calor diurno, resfriamento noturno, solos e decisões de cada produtor merece ser provada sem ideias preconcebidas.

4. Comarca Petrolera: Cutral Co e Plaza Huincul

Onde fica: centro da província, sobre a meseta, distante dos grandes rios que irrigam outras regiões.

Em Cutral Co e Plaza Huincul, a água muda a maneira de pensar o vinhedo. Aqui não se depende diretamente dos grandes cursos dos rios Neuquén e Limay. A irrigação utiliza água de poços profundos, cuja composição precisa ser conhecida e acompanhada. O vento, a baixa umidade, a insolação e a amplitude térmica fazem parte de um ambiente exigente.

A Bodega Municipal de Cutral Co contribuiu para demonstrar que era possível cultivar uvas e elaborar vinhos nessas condições. O trabalho realizado na região ajudou a reunir experiência sobre irrigação, manejo, variedades e elaboração. Não se trata de reproduzir o modelo do Chañar, mas de compreender outro território.

Cabernet Franc tem apresentado resultados interessantes, com estrutura e notas especiadas em diferentes elaborações. Syrah e Malbec também fazem parte dessa experiência, ao lado de variedades brancas. O caráter final de cada vinho depende, naturalmente, do produtor e da safra.

Trabalho no vinhedo da Bodega Municipal de Cutral Co, Neuquén
Trabalho vitícola na meseta de Cutral Co, onde a irrigação depende de água subterrânea.

É uma região que merece ser acompanhada com atenção. Os resultados não devem ser medidos apenas pela quantidade produzida, mas também pelo conhecimento acumulado sobre a videira em um ambiente que, até recentemente, tinha poucos antecedentes vitivinícolas.

5. Norte Neuquino e Alto Neuquén

Onde fica: Chos Malal, Taquimilán e os vales que seguem em direção a Andacollo, Manzano Amargo, Domuyo e Villa del Nahueve.

No norte de Neuquén, a história do vinho não começou com os grandes investimentos contemporâneos. Ela permanece nos quintais, nas antigas parreiras e nas pequenas produções familiares. Algumas videiras crioulas atravessaram gerações, adaptadas às condições de cada vale.

Bodega Des de la Torre, em Chos Malal, representa quatro gerações ligadas ao vinho. Além de elaborar seus rótulos, a família participa da recuperação de antigas parreiras e acompanha produtores de outras localidades. É um trabalho que tem valor produtivo, mas também histórico: preservar plantas antigas significa conservar parte da memória vitivinícola da região.

Vindima na Bodega Des de la Torre, Chos Malal, norte de Neuquén
Vindima na Bodega Des de la Torre, em Chos Malal, onde a história familiar continua presente.

Os vales do Alto Neuquén apresentam diferenças importantes de altitude, exposição, solo e disponibilidade de água. O Malbec participa desse desenvolvimento, mas ainda há muito a observar sobre a adaptação de cada variedade. Seria precipitado falar de um estilo único para toda a região.

Em Villa del Nahueve, no setor de Los Carrizos, a família Latorre desenvolve Viñas del Nahueve, com vinhos previstos sob a marca Clos Delatorre. O vinhedo está a 1.172 metros de altitude, próximo ao rio Nahueve e a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o Chile. A implantação inicial reúne aproximadamente mil videiras de Malbec em meio hectare, dentro de um projeto de expansão de longo prazo.

A água vem de nascentes e do rio Nahueve, alimentado pelo sistema das lagoas de Epulafquen. Solos profundos e condições de montanha fazem desse lugar uma experiência diferente dos vales mais quentes. Há interesse em avaliar também o Riesling. O geofísico Guillermo Corona, do projeto Geografía del Vino, acompanha questões ligadas à geologia, ao relevo e ao potencial vitivinícola desses ambientes.

Vinhedo Clos Delatorre em Villa del Nahueve, a 1.172 metros de altitude
Clos Delatorre, em Villa del Nahueve: uma experiência de viticultura em altitude no norte de Neuquén.

É importante distinguir potencial de resultado consolidado. O norte tem história, diversidade de ambientes e projetos promissores. Serão as próximas colheitas, acompanhadas ao longo dos anos, que permitirão compreender melhor seus vinhos.

6. Cordilheira de Neuquén: uma região em formação

Onde fica: San Martín de los Andes, Villa Lago Meliquina, vale do rio Chimehuín e áreas próximas ao rio Aluminé.

Vivo em San Martín de los Andes desde 1996 e acompanho com especial interesse as experiências vitícolas que começaram a aparecer na Cordilheira. São projetos pequenos, alguns ainda experimentais. Não faria sentido apresentá-los como uma região de produção consolidada.

Aqui o ciclo vegetativo costuma ser mais curto, as geadas exigem atenção e a escolha do local é decisiva. Isso não significa ausência de calor. Durante o período de crescimento das uvas, as tardes de verão podem alcançar 26 °C a 32 °C, mas as noites, a altitude e o risco de geadas colocam outros desafios ao produtor.

Loma Redonda mantém um pequeno vinhedo implantado em 2021 em San Martín de los Andes. Em Ruca Hue, as experiências incluem Pinot Noir e Sauvignon Blanc. Villa Lago Meliquina acrescenta outro ambiente de montanha, que precisa ser observado por suas próprias condições.

Vinhedo Loma Redonda em San Martín de los Andes, Cordilheira de Neuquén
Loma Redonda, em San Martín de los Andes, uma das experiências vitícolas da Cordilheira.

O vale do rio Chimehuín guarda um antecedente particularmente valioso: o vinhedo da Estancia Chimehuín, implantado em 2004. São mais de duas décadas de observação em um ambiente onde as geadas e a necessidade de proteger as plantas fazem parte do trabalho. Mais ao norte, na região do rio Aluminé, outras implantações ampliam essa experiência.

O que esses projetos têm em comum não é um perfil de vinho já definido, mas a disposição de aprender com lugares onde a viticultura ainda precisa responder a muitas perguntas. Pinot Noir e Sauvignon Blanc estão entre as variedades em observação. As próximas safras serão fundamentais para avaliar sua adaptação.

O que essas diferenças significam na taça

Quando um consumidor brasileiro encontra um Pinot Noir, um Cabernet Franc ou um Malbec de Neuquén, vale a pena perguntar de qual parte da província ele vem. Um vinho do Chañar não nasce nas mesmas condições que outro de Senillosa, de Cutral Co ou de um vale próximo à Cordilheira. O nome Patagônia, sozinho, não conta tudo.

Para um sommelier, um lojista ou um importador, conhecer essas diferenças ajuda a construir uma seleção mais consistente. Origem, produtor, safra, estilo e escala de produção importam mais do que uma descrição genérica de “vinho de clima frio”. E, no caso de projetos menores, é preciso distinguir o interesse enológico da disponibilidade comercial efetiva.

Neuquén reúne hoje vinícolas com estrutura consolidada, produtores familiares, antigas tradições recuperadas e novos vinhedos em observação. Essa diversidade não precisa ser exagerada para despertar interesse. Ela já é suficientemente rica quando contada com precisão.

Como Sommelier de Territorio, continuo percorrendo essas regiões, conversando com quem cultiva as uvas e provando os vinhos. O mapa que apresento aqui não é definitivo. Ele acompanha o trabalho de pessoas que, a cada safra, conhecem um pouco melhor o lugar onde produzem.

Mapa das seis regiões vitivinícolas de Neuquén: Chañar, Confluencia, Limay, Comarca Petrolera, Norte Neuquino e Cordilheira
Mapa das seis regiões vitivinícolas de Neuquén. Organização territorial de referência. Crédito: Sergio Landoni, Sommelier de Territorio.

O desenvolvimento dessas regiões também foi abordado em um artigo de minha autoria publicado pelo Diario Río Negro.

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Para saber mais sobre meu trabalho com os vinhos de Neuquén e da Patagônia, entre em contato.

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